Toda pessoa carrega em si a capacidade de pensar, sentir e fazer. No equilíbrio psíquico vivenciamos as três dimensões. Mesmo assim, cada pessoa possui numa dessas áreas um domínio maior, sem que para isso abandone as outras duas dimensões.
Foram muitos os que iniciaram grandes obras na Igreja. Os mais voltados ao pensar iniciaram os grupos monásticos, escolas filosóficas e teológicas, desenvolveram a vida de oração, liturgia e pregação. Transmitiam com vivacidade o pensamento e a espiritualidade. Desenvolveram, em suas comunidades, as dimensões do sentir, fazer, orar e trabalhar. Tornaram-se acolhedores da humanidade e procuram dar uma resposta aos apelos dos tempos. Pensamos aqui em Bento, Agostinho, Inácio, Tereza D’Ávila e tantos outros expoentes da espiritualidade e do pensamento.
Outros contavam desde o princípio uma grande facilidade em congregar. Eram homens e mulheres do sentir. Sentiam o apelo de Jesus na humanidade. Pelas ruas juntavam os pobres, crianças abandonadas, doentes… Desenvolveram obras sociais, hospitais e comunidades. Um trabalho árduo que exigia sempre mais a criatividade no pensar e no fazer. Abasteceram-se da oração e da contemplação. Nasceram grandes obras. Nelas, o trabalho e a espiritualidade. É o carisma de João Bosco, Piamarta, Vicente de Paula e Madre Teresa só para citar alguns.
Francisco, de certo modo, é um santo do fazer. Não é nem homem do muito falar, nem de complexos textos teológicos. Não se preocupa no início em juntar pessoas e nem mesmo em dar uma resposta social aos pobres de seu tempo, mesmo que isso aos poucos se torne uma verdade. Ele é o homem que responde, na prática imediata, às exigências da Palavra de Deus, pois quer simplesmente viver o Evangelho.
É simples e simplifica. Beija o leproso quase numa situação de ímpeto para vencer a si mesmo, permitindo-se depois ser conduzido para o meio deles. Lê o Evangelho e na mesma hora se faz pobre. Ouve do crucifixo,“ reconstrói a minha Igreja” e começa a reconstruir São Damião. Percebe, já nessa experiência concreta, a Igreja como uma realidade de reconstrução muito mais ampla. Envia o irmão nu para a pregação e depois ele mesmo se coloca na mesma condição. Arrepende-se tão rápido de atitudes imediatas que com a mesma rapidez faz penitência e recomeça. É imediato no trabalho, na vida fraterna e na oração. É prático naquilo que escreve. E mesmo quase diante da morte diz que é necessário começar, chamando de “pouco” ou “nada” a imensa obra que iniciara.
Esse homem do fazer desvenda de forma poética para a humanidade a acolhida universal no Cântico das Criaturas. Manifesta de forma nova e autêntica, em seu próprio corpo, a grandeza da Espiritualidade do Cristo Pobre da Cruz. Atrai os homens da ciência e do espírito em todas as épocas. Revela-se plenamente envolto da altíssima ação de Deus, no verdadeiro sentir e na mais alta capacidade do pensar e contemplar.
Francisco é pai do Carisma da Esperança. Nos faz ver as chagas de Jesus abertas na humanidade. Aponta o Abandonado da Cruz como resposta para a cura dos vícios. Dele recebemos o tripé: trabalho, espiritualidade e convivência. Abre para nós o dom de pensarmos com criatividade a acolhida da humanidade ferida das lepras de hoje. Nos impulsiona a continuarmos aquela reconstrução de Igreja em tantas situações. Francisco nos abre o olhar para Aquele que é a nossa Esperança. O Pobre da Cruz… Jesus.


