Ordenação Sacerdotal de Valmir Silva

No dia primeiro de outubro aconteceu em Joinville/SC, a ordenação sacerdotal de Valmir Silva.

E assim ele nos escreve contando como foi que descobriu sua vocação, e como conheceu a Fazenda da Esperança.

“Eu participava de um grupo de jovens na minha cidade desde os 23 anos de idade. Tocava violão animando os encontros do grupo, auxiliava na liturgia da missa e fui catequista de Crisma. No dia 1º de junho de 1997 fiz um retiro para músicos e na oportunidade ouvi a voz de Deus me pedindo algo a mais. Não sabia o que era, mas eu tinha certeza que não iria permanecer muito tempo em grupos de jovens. Buscava diariamente uma orientação na Palavra. E sempre Deus me confirmava que meu chamado era para além da catequese ou da liturgia. A vocação surgiu dentro de mim aos poucos, conforme meu relacionamento com Deus crescia. Eu me esforcei em viver de acordo com o chamado que Ele me fazia com minha família, com os amigos do grupo de jovens, com o pároco, no meu emprego, enfim com todas as pessoas. Eu senti que fui feito para abraçar muito mais que o bairro onde morava. Fui admitido no seminário no ano 2000.

Passei por um momento difícil durante o curso de teologia. A morte de meu pai em 2005 me abalou tanto que entrei em depressão: não cuidava mais de mim mesmo, passava muito tempo isolado, mergulhado nos estudos, minha saúde piorava gradativamente. Pedi um afastamento do seminário, era o ano de 2007, e a diocese de Joinville acolhia o novo bispo: dom Irineu Roque Scherer.”

Aqui começa a história de Valmir com este que foi um grande formador de jovens na Fazenda da Esperança, e que ajudou muito a Fazenda a levar a Esperança para mais pessoas.

“Marquei um dia para conversar com dom Irineu e ele me orientou para fazer uma experiência de um ano na Fazenda da Esperança. A princípio pensei que não seria bom para mim, pois o que eu sabia a respeito da Fazenda era que somente serviria para a recuperação da dependência química. Quando foi acolhido em Janeiro de 2008, percebi que havia algo diferente nas pessoas, nos ambientes. Não havia tristeza nem depressão. Que descoberta eu fiz! Finalmente encontrei o tesouro!

O tesouro escondido naqueles jovens carregados de dores, traumas e abandono. Só mais entendi quem estava por detrás de tudo. Também quis experimentar a alegria e o clima de família presentes na casa onde fui morar com os jovens. Alguns meses depois ouvi o mesmo chamado que Deus fizera alguns anos atrás. Mas agora era um chamado bem específico: ser irmão para os jovens da Fazenda. Ser irmão deles exigiu de mim um passo enorme na fé. Acreditar que aqueles meninos eram capazes de serem homens novos. E o único instrumento que tinham era a Palavra, à mesma que anos atrás me chamou para uma missão. Acredito na mudança de vida, porque eu também experimentei isso. Hoje percebo o caminho que percorri. Primeiro foi o contato desinteressado com os jovens ouvindo suas histórias sofridas e me convencer que minhas dores eram tão pequenas em comparação com as dores deles. Depois tomar a decisão de permanecer com eles na Fazenda, em um verdadeiro clima de fraternidade.”

E por fim, padre Valmir conta qual a diferença a Fazenda fez no caminho da ordenação e sua decisão de ser um padre da Fazenda da Esperança.

“Não tenho dúvidas que toda minha experiência na Fazenda é um caminho para o coração da humanidade. Compreender que nossa origem é Deus e também nosso destino final. Só por graça de Deus encontrei sentido para minha vida. Tudo começou com a Palavra. E tudo aponta para ela. Cada vez que conseguimos encarnar a Palavra em nosso dia-a-dia nas experiências mais simples, repetimos a experiência de Maria: ela gerou Jesus para a humanidade e nós podemos gerar uma nova humanidade para Jesus. Compreendi que a Palavra me santifica e me torna mais humano.

Então, decidi renovar minha vocação sacerdotal por ter encontrado Jesus nesses meninos excluídos por todos. Eu me pergunto por que ser padre da Fazenda. Só pelo fato de ser um canal, por onde os nossos jovens podem ter a oportunidade de conhecer e experimentar o Amor.”

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